Alunos do curso de Ciências Aeronáuticas da UNINASSAU (Recife) tiveram a oportunidade de visitar a unidade da White Martins, localizada no Complexo Industrial de Suape, em Pernambuco, responsável pelo fornecimento de hidrogênio verde à JBS.

O hidrogênio verde é obtido por meio da eletrólise da água, utilizando fontes de energia renovável e sem emissão de gases do efeito estufa durante o processo produtivo. Atualmente, é uma das rotas mais discutidas para a descarbonização da aviação. No entanto, este conhecimento apresenta pouca divulgação no meio acadêmico e para o público em geral. A visita técnica teve como objetivo aproximar a ciência, a indústria e a formação profissional a um público mais amplo.

A história da Planta!

Antes do tour pela área de produção, a equipe técnica da White Martins realizou um briefing sobre o que seria apresentado, os procedimentos de segurança e a trajetória da empresa no local. Este retrospecto ajudou a compreender a relevância da planta:

  • 2009- A White Martins inicia as operações na unidade em Suape;
  • 2018- Foi comprada pela Linde, empresa multinacional alemã;
  • 2022- A empresa é certificada como a primeira planta de hidrogênio verde da América do Sul produzida em escala industrial com certificação internacional.

Como funciona a produção: do sol ao gás

O fluxo começa com a energia solar, captada por painéis fotovoltaicos instalados noutra unidade e posteriormente enviada para a planta. Essa energia alimenta o eletrolisador, equipamento responsável por separar as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio.

Para viabilizar e acelerar essa separação molecular, é utilizado hidróxido de potássio (KOH), como eletrólito, também conhecido como lixívia. Uma membrana específica evita a mistura indevida entre os gases gerados. Essa membrana tem uma vida útil estimada de dez anos.

O controle de qualidade é constante, a cada hora é realizada uma análise do gás produzido e, a cada três horas, o processo passa por um ajuste para verificar eventuais anomalias.

Outro gás presente na operação é o nitrogênio, utilizado exclusivamente para a limpeza dos dutos. É importante destacar também um detalhe operacional, todo o hidrogênio produzido tem de ser consumido.

Depois da produção do gás, o hidrogênio segue por gasoduto até à unidade do cliente. Para o transporte rodoviário, a White Martins utiliza as chamadas carretas tubulão, compostas por 10 a 12 cilindros.

O pátio de estacionamento das carretas dispõe de um sistema de “deluge”, destinado ao combate a incêndios que é testado semanalmente. A área conta ainda com para-raios instalados.

A segurança é tratada com rigor em todas as etapas. Um detalhe curioso apresentado durante a visita foi o facto de o hidrogênio verde ser um gás inodoro e incolor. O odor característico de óleo, sentido nas proximidades dos compressores, provém da lubrificação dos equipamentos, e não do próprio gás. Este detalhe funciona, inclusive, como um recurso adicional de segurança, uma vez que qualquer alteração no cheiro pode sinalizar um problema mecânico.

Direcionamento de carreira

Para os alunos de Ciências Aeronáuticas da UNINASSAU, a experiência foi descrita como incrível e constituiu uma oportunidade única de conhecer de perto uma tecnologia que poderá fe facto moldar o futuro da aviação. Mais do que uma aula técnica, a visita consolidou-se como um verdadeiro direcionador de carreira para estes futuros profissionais da aviação, que passam a ter uma compreensão mais concreta de como as escolhas energéticas de hoje irão definir os céus de amanhã.


Uma resposta a “Futuros Pilotos da UNINASSAU (pE) Visitam a Planta de Hidrogênio Verde da White Martins em Suape”

  1. Avatar de João Marcos Cavalcanti
    João Marcos Cavalcanti

    Fiquei muito feliz em participar!

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